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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Minha versão do formigueiro e a autoestrada

OBS: se você não conhece o paradoxo de Fermi ou a metáfora do formigueiro e da autoestrada, talvez seja melhor ler o PS no fim do texto primeiro.

Agora a pouco estava no banho e vi um bicho na beira da toalha. Olhei de perto e deixei pra lá, era só um louva-deus, ou coisa que o valha. Se fosse um maldito pernilongo gigante ou uma daquelas coisas que nem falo o nome de tão nojentas (eu mato, mas acho nojento) eu me preocuparia. Mas o cara tava na dele lá, louvando Papai Noel ou coisa parecida. Continuei me ensaboando.

Eis que, eis que quando começo o ciclo de enxague, o louva-duende começa a voar pelo box. Sai fora, meu. Tô num momento privado aqui e não tenho nada contra você. Mas ele pousa no canto e depois decola de novo e fica circulando cada vez mais perto de mim.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Baixinho mas esperto


(postado originalmente em 2009)


"Os alunos da faculdade, sabendo que a próxima aula era do professor de matemática, que era baixinho, pegaram o apagador do quadro negro, que ficava na sala, e o colocaram no alto deste, fora do alcançe do professor. Pura sacanagem.

Ácho quê tôdas ás palávras devíam têr acênto

(publicádo orininalmênte êm 2011)

Ácho quê tôdas ás palávras devíam têr acênto. Não gósto ném dê falár ná falecída querída trêma quê fîco tríste, más êsse projéto póde trazê-lá dê vólta.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Na fila



Foi o peido mais meigo que já houve na face da Terra. Meigo como ela. Não sendo adequado chamá-lo flato, melhor algo mais suave. Pum. Algo um pouco mais delicado que isso.


Ela era a alegria daquela fila de cinema, toda de rosa ou tons e sobretons. Não era loirinha e branquinha, como se deve imaginar, mas morena de cabelos escuros onde os olhos claros podiam aparecer melhor, ressaltando a delicadeza, pureza, beleza e outras ezas que não têm palavras feitas e todos entendem.

Quase todos. O rapaz atrás dela a olhou no momento do escape, com cara de reprovação. Mas na mesma hora ela retribuiu com um olhar perfeito de "foi você", provavelmente proveniente de uma de suas ezas únicas. E todos na fila acreditaram nela. Todos olhavam para o rapaz como se ele fosse o legítimo dono daquela falta de educação e acreditavam nisso. Ha! Como se ele pudesse fazer algo tão suave.